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       Paraíba, 09-Set-2010
Ecologia e Saúde
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Medicamentos contra obesidade ainda causam riscos
Conseguirão três novas fórmulas superar um histórico de segurança duvidosa?
Por Erica Westly
Sandy Nicholson
Obesidade deve ser prevenida com boa alimentação e hábitos saudáveis já na infância

Encontrar medicamentos seguros e efetivos para redução de peso há muito tem sido o objetivo tanto de médicos quanto da indústria farmacêutica. De acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças, aproximadamente um terço dos americanos adultos se enquadram no critério clínico para a obesidade. Este ano a Administração de Controle de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) examinou três novos medicamentos antiobesidade para aprovação. Entretanto, devido ao passado duvidoso dessa área, permanecem dúvidas importantes sobre os riscos de pílulas que eliminam quilos.

Embora drogas que inicialmente parecem promissoras algumas vezes provarem ser ineficazes ou até perigosas após chegarem ao mercado, o campo da obesidade já teve o seu quinhão de fracassos. Nos anos 60 as anfetaminas foram alardeadas como a resposta para a perda de peso até se mostrarem viciantes. Em meados da década de 1990 foi a vez do fen-phen (fenfluramina e fentermina), que provocava doença valvular cardíaca. Então, há poucos anos a FDA negou aprovação a um novo medicamento para perda de peso após ele ter sido relacionado com comportamento suicida.

Atualmente apenas dois medicamentos tem aprovação da FDA para tratamento da obesidade a longo prazo, e não são isentos de preocupação. No início do ano a União Europeia proibiu um deles, a sibutramina ou Meridia/Reductil, após novos relatos de ataques cardíacos e derrames. O outro, orlistat, atualmente vendido em todos os Estados Unidos como Alli (e no Brasil como Xenical), provoca desconforto gastrointestinal e tem sido associado a danos ao fígado em alguns pacientes.

No entanto, pesquisadores acreditam que medicamentos são a solução e esperam que algum dia substituam as caras e extremamente perigosas cirurgias bariátricas como as de bypass gástrico. A situação não é diferente daquela da hipertensão antes da metade do século 20. Até o advento dos bloqueadores beta nos anos 1960, médicos removiam secções dos nervos periféricos para controlar a pressão alta. Hoje médicos tratam a hipertensão quase exclusivamente com medicação. O desenvolvimento de medicamentos para condições crônicas, seja obesidade ou hipertensão, é muito desafiador. “A maior parte das doenças crônicas tem muitos mecanismos redundantes, portanto, não é comum encontrar uma ‘solução única’”, explica Frank Greenway, chefe do ambulatório do Centro de Pesquisa Biomédica, em Baton Rouge, Louisiana.

A obesidade tem um componente neuropsiquiátrico, o que a torna especialmente difícil de tratar. Cada uma das três novas drogas que aguardam exame da FDA age de forma diferente no cérebro. Uma delas, chamada Contrave, tem como alvo o sistema de recompensa do cérebro, enquanto os outros dois compostos afetam áreas do cérebro relacionadas com o apetite. Todos os três medicamentos parecem levar a uma perda de peso a longo prazo. A preocupação é que, assim como as drogas antiobesidade que surgiram antes (que também tinham como alvo o cérebro), essas também possam provocar efeitos indesejados no sistema nervoso central e periférico.

O Lorcaserin, outro dos três novos medicamentos, afeta a serotonina, que está envolvida em múltiplos processos cerebrais além do apetite, incluindo a emoção e regulação cardiovascular. A empresa por trás do Lorcaserin, a Arena Pharmaceuticals, sediada em San Diego, se empenhou bastante para demonstrar que a substância química não causa os problemas na válvula do coração relacionados com a serotonina tal como os provocados pelo fen-phen. Ainda assim o medicamento pode levar à depressão ou aumentar os riscos de problemas cardíacos, como pressão alta, especialmente se os pacientes o combinarem com outros medicamentos na tentativa de apressar a perda de peso.

Os outros dois medicamentos, Contrave e Qnexa, também podem causar indesejados efeitos colaterais neurológicos. A bupropiona, ingrediente do Contrave, foi relacionada com ansiedade. O topiramato, principal ingrediente do Qnexa, foi relacionado com problemas de memória. As empresas responsáveis pelo Contrave e Qnexa – respectivamente a Orexigen, em La Jolla, e a Vivus, em Mountain View, ambas na Califórnia – sustentam que ao combinarem a droga com outros agentes diminuíram as doses para níveis abaixo dos necessários para desencadear reações adversas. “A chave é encontrar a dosagem certa”, observa Barbara Troupin, diretora-sênior de assuntos médicos da Vivus.

Entretanto, ainda podem ocorrem problemas. Considerando que pacientes com problemas mentais pré-existentes são frequentemente excluídos de testes clínicos com drogas para obesidade, efeitos colaterais não verificados nos testes podem surgir durante o uso do medicamento pela população. Situação semelhante pode ter ocorrido em 2007 quando a Sanofi-Aventis aclamou o Rimonabant, outra droga neurodirecionada, como tratamento seguro e efetivo para a perda de peso. Greenway lembra que “Os comunicados de imprensa pareciam ótimos”. No entanto, logo após o medicamento ser lançado na Europa, relatos de suicídios relacionados com o Rimonabant começaram a despontar. O medicamento nunca chegou a ser aprovado nos Estados Unidos e foi posteriormente retirado de circulação na Europa.

Como conseqüência a FDA provavelmente examinará cuidadosamente as novas drogas antiobesidade. Em julho, uma comissão consultiva da FDA votou, com uma margem estreita, contra o Qnexa, alegando preocupação com relação aos efeitos colaterais. Entretanto a FDA não é obrigada a agir de acordo com as recomendações da comissão.

Ed J. Hendricks, médico que dirige um centro para perda de peso em Sacramento, Califórnia, espera que ao menos uma das três drogas seja aprovada. “Conforme os mecanismos por trás da obesidade são mais bem compreendidos as drogas começam a se tornar mais específicas”, observa. A questão é se agirão suficientemente bem para um uso generalizado e seguro.

 
Erica Westly é jornalista
Fonte: Scientific American Brasil
04.09.2010
 
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