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Manaus é a cidade com maior número de mortos por raios
Ao todo, 1.321 brasileiros morreram atingidos por raios, entre 2000 e 2009. O número é dez vezes maior que o de mortes provocadas por doenças temidas como a febre amarela. “A gente acreditava numa coisa de 60, 80, no máximo 100 por ano. E hoje estamos vendo no levantamento que morrem mais de 130 pessoas por ano”, diz o coordenador do Elat/INPE Osmar Pinto Junior. O levantamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revela que a época mais perigosa do ano está chegando: vai de 16 a 20 de fevereiro. “No verão, nós temos condições mais propícias, em função do calor e da umidade“, diz o professor da USP Alexandre Piantini. Segundo o estudo, a cidade com o maior número de mortos é Manaus: são 16 mortes. Uma das vítimas foi Leno Rodrigues, um adolescente que adorava futebol. Pouco sobrou do boné dele. “Eu vinha chegando próximo ao campo e já vi quando iam levando ele, eu conheci as pernas dele. Quando ele foi atingido pelo raio, ele estava no gol. Na frente da trave, ele era goleiro”, conta a mãe de Leno, Iara Rodrigues da Cruz. Esta semana, jogadores do Internacional levaram um susto, em Porto Alegre. Em São Paulo, o treino do Corinthians foi interrompido por causa dos raios. Em todo o Brasil, 10% das mortes causadas por descargas elétricas ocorrem em campos de futebol. Uma simulação feita no Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP mostra o que acontece quando um raio atinge uma pessoa. “Normalmente, essa pessoal tem praticamente morte imediata. Ela causa queimaduras intensas chega a 2 mil ºC. E a pessoa, com certeza, para o coração imediatamente”, aponta o médico cardiologista Agnaldo Pispico. Essa é outra situação bem perigosa em Manaus. Todos os dias, milhares de pessoas navegam por uma imensidão que banha a capital do Amazonas. Como a água é um bom condutor de eletricidade, nos barcos as pessoas estão mais vulneráveis aos raios. “Eu já vi colega meu no comando do motor. O raio deu, estourou o vidro e cortou ele todinho”, conta um homem. São Paulo é a segunda cidade onde mais gente morreu vítima de raio na última década. Foram 14 pessoas. Só em um parque, na Zona Oeste, foram duas vítimas em janeiro de 2001. Uma menina de 12 anos foi atingida. Logo depois, três amigos tentaram se esconder embaixo de um quiosque. “Eu me voltei e vi Osmann agonizando, estava se batendo muito. O Daniel por outro lado, já estava caído, imóvel”, descreve o atendente José Adauto da Fonseca. Daniel não resistiu. “Em muitas circunstâncias como esta desse parque, você não tem um abrigo, um carro fechado ou uma residência para se abrigar. Então, o que você deve fazer é evitar ficar próximo de objetos metálicos, objetos altos”, orienta o coordenador do Elat/INPE. Segundo o levantamento, 12% das vítimas estavam embaixo de árvores. Na quarta-feira passada, no Centro de São Paulo, um costureiro boliviano morreu. “Ele estava passando pela calçada, quando o raio caiu em uma árvore”, descreve um homem. Em média, no país, a chance de ser atingido por um raio é de 8 em 1 milhão. Isso significa dizer, se considerar o panorama da próxima década, que os brasileiros têm 400 vezes mais chances de serem atingidos por um raio do que de ficarem milionários com uma aposta simples da Mega Sena. Em alguns estados, esta probabilidade é ainda maior. No Tocantins, chega a 46 em um milhão. “Na fazenda de um sobrinho meu, matou nove gados de uma vez só”, conta um morador de Tocantins. Dezenove por cento das mortes no país estão relacionadas à agropecuária. Na última quinta-feira (4), Clóvis Barbosa morreu em uma lavoura em Avaré, no interior paulista. “Foram dois raios em seguida. Um que caiu mais longe e outro que caiu mais perto dele”, diz o primo de Clóvis, Daniel Cardoso. Geralmente, em cidades pequenas, a população está mais exposta aos raios. Por isso que, entre os lugares onde mais gente morreu nos último dez anos, tem municípios com menos de 50 mil habitantes. Um deles é Iranduba, no Amazonas, que fica a 25 quilômetros de Manaus. As primas Natasha e Raiane morreram em um gramado a caminho da escola em 2001. “Elas iam abraçadas embaixo de uma sombrinha. De repente, deu um raio e eu jamais pensava que aquele raio fosse atingi-las”, aponta a mãe de Natasha, Natália Vale da Silva. “Quando eu vejo temporal, já estou me recolhendo para casa, porque a gente ficou com aquele pesadelo”, comenta o pai de Natasha, Jander Rubens da Silva e Silva. Das mortes, 14% ocorrem dentro de casa. O raio nem precisa atingir diretamente a residência. Se cair no quarteirão, já suficiente para aumentar a tensão em toda a rede elétrica. Por isso, não tome banho, não use o telefone fixo, nem o celular, se estiver conectado ao carregador. Afaste-se de janelas metálicas, da geladeira e de tomadas. Fonte: Fantástico 08.02.2010 |