bannergg
Página principal
Glossário Ecológico
Entrevista
Trilhas da Paraíba
Medicina Verde
Ecologia e Saúde
Espécies em Extinção
Dicas Ecológicas
O lixo em Questão
Arte de Reciclar
Crônicas e Poesias
Geografia Ambiental
Cursos e Congressos
Evite o Desperdício
Denúncia
Artigos
Fale Conosco
Projetos Ambientais

 

 
       Paraíba, 24-Abr-2014
Poluição atmosférica PDF Imprimir E-mail
A poluição do ar é um problema antigo e está intimamente relacionada ao progresso da civilização. Da atividade extrativista simples, em que os nossos ancestrais apenas retiravam produtos para a sua sobrevivência através de caça e da colheita daquilo que já previamente existia na natureza, o ser humano passou para uma atividade produtiva, em que a agricultura, a pecuária e a incipiente atividade artesanal para utensílios simples procuravam modificar as condições naturais para propiciar uma sobrevivência mais confortável.

­A poluição do meio ambiente (incluindo a poluição do ar) começou a existir a partir daí e logo passou a galgar escala cada vez mais alarmante. Considerada como parte necessária no progresso da civilização, a poluição do ar foi paulatinamente se tornando um problema para a saúde pública ao longo da História, até culminar na Revolução Industrial.

Os quadros a seguir, pintados pelo impressionista Monet, retratando a ponte de Waterloo, em Londres, entre os anos 1902 e 1903, dão uma idéia da dramática transformação da cidade de Londres. De um ano para outro, a cidade apresenta, na sua paisagem, uma clara piora do cenário da qualidade do ar, com a presença de chaminés industriais e fumaças geradas por elas. Compare o quadro de 1902, onde não havia nenhuma fumaça ou chaminé industrial:



E o de 1903, em que as chaminés começam a dominar a cidade:




Ponte Waterloo, de 1903
Chester Dale Collection/Reprodução
Waterloo Bridge, Gray Day, pintado por Claude Monet em 1903
Ponte de Waterloo - 1902
E.G.Bührle Collection/Reprodução
Waterloo Bridge, pintado por Claude Monet em 1902
As cidades mais poluídas

O alarme máximo na Londres pintada por Monet aconteceu em 5 de dezembro de 1952, quando uma frente estacionária provocou uma inversão térmica no vale do rio Tâmisa. A velocidade do vento havia caído para próxima de zero e, com isso, não houve dispersão dos poluentes. O resultado disso foi que Londres amanheceu o dia 5 de dezembro envolta em fumaça:


londres 1952
Air Pollution - The Real Truth/Reprodução
Imagens de Londres sob densa poluição atmosférica
em 5/12/1952, publicadas em "The London Smog Disaster of 1952"


­
Londres é famosa pela neblina (fog) e pela fumaça (smoke) expelida de suas indústrias. A mistura desses elementos resulta em smog, que, combinando com a pouca dispersão, provocou o episódio conhecido como Desastre de “Smog” de Londres. Entre 2.000 e 4.000 mortes (dependendo da fonte) ocorreram na cidade durante 15 dias desse dezembro de 1952.­

­O episódio foi um marco e determina a poluição do ar como um grande vilão na saúde pública. As doenças identificadas como causa das mortes ocorridas nesse período foram as respiratórias (pneumonia, bronquite, asma e outras infecções) e cardiovasculares (infarto, insuficiência cardíaca e arritmias). Os poluentes identificados foram fumaça preta (black smoke) e dióxido de enxofre (SO2). Posteriormente, esses dois elementos mais monóxido de carbono (CO), ozônio (O3) e óxido de nitrogênio (NO) acabaram sendo identificados como material particulado.­

­A qualidade do ar em Londres melhorou muito, mas o mesmo não se pode dizer de alguma das metrópoles com o ar mais poluído do mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde:

  • Cidade do México (México)
  • Pequim (China)
  • Cairo (Egito)
  • Jacarta (Indonésia)
  • Los Angeles (EUA)
  • São Paulo (Brasil)
  • Moscou (Rússia)

De acordo com relatórios feitos a partir de dados da rede de monitoramento, no Brasil, a cidade de São Paulo tem sido considerada como a que tem os mais sérios problemas de poluição do ar. Entretanto, outras cidades, como Vitória do Espírito Santo, devido à presença de uma siderúrgica, e Rio de Janeiro e Brasília, devido às suas frotas de veículos, também figuram entre as mais poluídas.

Agência Estado­
Agência Estado
Céu de São Paulo em dia típico de poluição intensa com inversão térmica

Em função da queima de biomassa (cana-de-açúcar e m­ata virgem), algumas cidades como Araraquara e Piracicaba, em São Paulo, e cidades que ficam na Amazônia sofrem com problemas de poluição do ar periodicamente.

 

Os poluentes e suas características

Existem vários poluentes no ar que podem afetar a saúde. Veja abaixo os principais:

­Material particulado

  • O que é: mistura de partículas sólidas, mistura de partículas líquidas ou sólidas e partículas líquidas suspensas no ar, que variam de tamanho, composição e origem. Poeira, metais pesados, bactérias, fungos, pólens, pêlos de animais fazem parte desse grupo de poluentes. O material particulado pode ser classificado pelo seu tamanho, o mais comum é PM10, que é material menor ou igual a 10 micrômetros (μm), ou seja, 10 milionésimos de metro. Atualmente, pode-se medir material particulado de até 2,5 μm, chamado de PM2,5.
  • Efeitos na saúde: devido ao seu tamanho minúsculo, pode ser absorvido facilmente e pode chegar à porção final dos brônquios e alvéolos. A complexidade de sua composição pode provocar inflamação pulmonar, crise de asma e bronquite crônica e provocar infecção.
Monóxido de carbono (CO)

  • O que é: produto de combustão incompleta presente em todo processo de combustão que se origina desde o motor de veículos até a queima de um cigarro.
  • Efeitos na saúde: tem uma afinidade muito grande com a hemoglobina. Localizada dentro das hemácias, a hemoglobina transporta o oxigênio para todos os órgãos e tecidos do nosso corpo. Uma vez que o CO se liga à hemoglobina, dificilmente ela volta a transportar o oxigênio. O composto entre hemoglobina e monóxido de carbono é chamado de meta-hemoglobina, e os órgãos e tecidos passam a sofrer falta de oxigênio. Para suprir a falta de transporte de oxigênio pelas meta-hemoglobinas, o coração passa a bombear mais rápido o sangue, numa manobra para suprir com as hemoglobinas não comprometidas o oxigênio para os tecidos e órgãos. Dessa forma, em pacientes com coração previamente doente ou em casos de diabetes, hipertensão e colesterol alto, há comprometimento do coração, levando a infarto, à angina e até à arritmia.
Ozônio (O3)

  • O que é: poluente que se forma a partir de NO (óxido de nitrogênio), na presença de luz solar. É bastante presente em dias ensolarados.
  • Efeitos na saúde: embora seja o mesmo que compõe a camada de proteção contra raios ultravioletas na estratosfera, o ozônio, quando presente na biosfera e inspirado por pacientes previamente doentes, pode levar a crises de asma e bronquite, por ser irritante nas vias respiratórias.
Dióxido de enxofre (SO2)

  • O que é: é um gás incolor, detectável pelo odor e pelo sabor, que é produzido na combustão de combustível doméstico e por veículos automotores.
  • Efeitos na saúde: é absorvido com grande facilidade pelas vias respiratórias, provocando tosse, sufocação e uma inflamação importante no pulmão. Essa inflamação pode enfraquecer a defesa do pulmão, propiciando a infecção. O gás contribui para o agravamento da as mada e da bronquite crônica.
Óxido de nitrogênio (NO)

  • O que é: precursor do ozônio, provém de motores a combustão.
  • Efeitos na saúde: provoca irritação e inflamação nas vias respiratórias, reduz a capacidade do sangue no transporte de oxigênio, podendo causar enfisema e redução das defesas do organismo.
Hidrocarbonetos

  • O que é: composto formado por hidrogênio e carbono, que é liberado pela combustão de motor de veículo.
  • Efeitos na saúde: não é medido pela rede de monitoramento da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental)­, mas tem potencial canceríge­no.­

Medidas para evitar que a poluição do ar afete a saúde

Vivendo em grandes cidades, como São Paulo ou Rio de Janeiro, é muito difícil não ser afetado pela poluição do ar e os seus efeitos adversos na saúde. Entretanto, algumas medidas podem ser tomadas para minorar os seus efeitos:

    • Procure não sair ao ar livre nem praticar atividade esportiva em horário de tráfego intenso
    • Se você tem asma, bronquite crônica ou outras doenças respiratórias alérgicas, tome regularmente as medicações prescritas por médicos e procure médicos caso haja piora de sintomas
    • Procure deixar o carro em casa e usar mais metrô e outros meios de transporte coletivo
    • Evite locais de alta concentração de pessoas em que a ventilação seja deficiente, principalmente durante inverno, para evitar o contágio de viroses
    • Tome bastante água em dias em que há baixa umidade do ar com alta concentração de poluentes. Um indicativo de que a umidade está baixa e com alta concentração de poluentes é irritação dos olhos, garganta e nariz. Quando a situação é crítica, os órgãos governamentais lançam alertas. Dentro de casa, a presença de poeira ou de material particulado em lenócis, toalhas de mesa e cortinas indicam a presença de poluentes em alta concentração.
    • Procure evitar vias de congestionamento intenso em locais de tráfego intenso
    • Procure arejar a casa em horário onde o tráfego seja menos intenso e evite janelas e portas abertas em horário de pico de tráfego
    • Adote um estilo de vida saudável, com prática regular de esporte e alimentação saudável e balanceada para melhorar a imunidade contra infecções respiratórias presentes principalmente no inverno, época em que a poluição do ar aumenta e indiretamente promove as infecções respiratórias.
    A poluição atmosférica, contudo, não têm efeitos apenas em ambientes externos. Também dentro de casa e de edifícios, há poluentes no ar que podem afetar até mais a saúde das pessoas.


A poluição do ar em ambientes internos

A qualidade do ar dentro de ambientes fechados pode sofrer alterações por uma série de razões. As substâncias acumuladas dentro de casa geram a chamada poluição do ar em ambiente interno, juntamente com os poluentes do ar externos. São consideradas substâncias “caseiras” (produzidas ou guardadas):

  • material de construção
  • tintas
  • solventes
  • produtos de combustão: fumaça gerada por fogão à lenha ou a gás, carvão, cigarro e aquecedores que usam combustíveis como querosene
  • materiais biológicos: inseticidas, ácaros, mofo, alérgenos produzidos por pêlos de animais e aves e partes de insetos
Os poluentes externos (material particulado, monóxido de carbono, ozônio, dióxido de enxofre e óxido de nitrogênio) entram nas casas por meio de infiltração, frestas das portas, ventilação normal (janelas e portas) e ventilação mecânica (ventilador ou condicionador de ar).

­­­
nepal
OMS/Reprodução
A baixa qualidade do ar é um risco à saúde
em regiões em desenvolvimento. Até nas áreas
rurais remotas (na foto, Gatlang, no Nepal), altos níveis
­de poluição atmosférica podem surgir do uso
­ de ­combustíveis sólidos ­nos lares


­
A qualidade do ar em ambiente interno pode sofrer o efeito cumulativo. Isso ocorre quando é baixa a ventilação, que promove a troca do ar entre o ambiente interno e externo e acaba por promover a dispersão dos poluentes em ambiente interno. Dessa forma, os poluentes se acumulam. Não havendo dispersão, a qualidade do ar piora significativamente. Durante os dias frios, a tendência é que o ambiente interno fique isolado, com ventilação baixa. Neste caso, se ­houver uma produção constante de poluentes como cigarros acesos, fogão a gás mal regulado e aquecedor ligado, aumentam os poluentes em ambiente interno.

­­
Fator de risco global­
Em 2000, a poluição em ambientes fechados vinda de combustíveis sólidos matou 1,6 milhão de pessoas e foi responsável por 2,7% dos encargos mundiais com doenças. Este fator de risco é o segundo maior contribuinte ambiental para doenças, atrás somente de água insalubre e falta de saneamento básico.


A importância da poluição em ambientes fechados como uma ameaça à saúde pública varia drasticamente de acordo com o nível de desenvolvimento. Em países com alto índice de mortalidade, a poluição em ambientes fechados é responsável por até 3,7% dos encargos com doenças, enquanto o mesmo fator de risco não figura na lista dos 10 mais dos países industrializados, de acordo com dados de 2002 da Organização Mundial da Saúde.

impacto nas doenças­­­

A dependência de combustíveis sólidos poluentes, como o carvão, para as necessidades básicas de energia é uma das principais causas da pneumonia entre crianças. Todos os anos, cerca de 800 mil crianças abaixo dos cinco anos de idade morrem devido à pneumonia, infecção respiratória aguda que é agravada pelos poluentes do ar que existem em ambientes fechados.

Sintomas

Com a produção de poluentes de forma continuada, e não havendo meios para dispersá-los, há uma concentração elevada de poluentes que podem produzir efeitos adversos na saúde. Os idosos, as crianças de faixa etária mais baixa, os portadores de doenças crônicas respiratórias e cardiovasculares são os mais afetados. Os sintomas podem ser desde irritação nos olhos, no nariz e na garganta, até crises de asma, bronquite e outras alergias respiratórias como rinite, passando pela predisposição para infecções virais e bacterianas, como laringite, traqueíte, e sinusite entre outras. Outros contaminantes, como inseticidas, podem levar à deposição dos mesmos no organismo. Neste caso, como a sua absorção é pequena devido à exposição a quantidades limitadas, fica difícil estabelecer qual o real prejuízo nas pessoas expostas, mas é certo que, cronicamente, a deposição do inseticida trará prejuízos na saúde.


Outro poluente que leva ao prejuízo na saúde é a fumaça de cigarro, além de monóxido de carbono, a queima do cigarro leva à liberação de uma série de substâncias (são milhares), incluindo substâncias cancerígenas. Há controvérsias a respeito da exposição de pessoas não-fumantes à fumaça de cigarro por convívio com pessoas que fumam, no chamado tabagismo passivo. Ao mesmo tempo em que há estudos que indicam aumento de incidência de câncer de pulmão nessa população, muitas vezes esse efeito não é fácil de se comprovar. O que se sabe é que a fumaça do cigarro leva à crise de asma, bronquite e outras doenças alérgicas respiratórias.


Relação de equilíbrio

A qualidade do ar em recintos fechados obedece à equação de equilíbrio entre a produção de poluentes e sua dispersão. Ao mesmo tempo em que se deve diminuir a produção de poluentes, deve-se também aumentar a ventilação de ambiente interno, para haver a troca do ar e conseqüente dispersão dos poluentes. Para diminuir a produção de poluentes, basta adotar medidas simples, como evitar fumar em recinto fechado, regular o fogão e o aquecedor, evitar o uso de inseticidas, limpar regularmente os filtros de aparelhos de ar condicionado, lavar roupas de cama, carpete e cortina e evitar mofo e retirar animais de estimação e aves de recinto fechado.

Fonte: HowStuffWorks
21.08.2011
 
Projeto BIOMADE
http://www.espacoecologiconoar.com.br/images/banners/projetos.jpg

http://www.espacoecologiconoar.com.br/images/pitoco2.jpg

Carcaça do coco verde

http://www.espacoecologiconoar.com.br/images/pitoco1.jpg

Advertisement
CIMPOR
agua
tecop
Elizabth
Anuncie
 
Feed RSS
 
   

Espaço Ecológico no Ar - Copyright 2006 - Todos Direitos Reservados

MMangueira