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       Paraíba, 18-Abr-2014
Instituto Baleia Jubarte PDF Imprimir E-mail

A baleia jubarte (Megaptera novaeangliae), também chamada baleia corcunda ou preta, é conhecida por seu temperamento dócil, pelas acrobacias que realiza (saltos e exposição de cabeça e nadadeiras) e por um desenvolvido sistema de vocalização. São por isso chamadas de baleias cantoras.

As baleias cantoras usam o banco dos Abrolhos, no litoral sul da Bahia, como sua principal área de reprodução no Atlântico Sul. Nos meses de julho a novembro, estas baleias procuram as águas quentes, tranqüilas e pouco profundas de Abrolhos para acasalar e dar à luz a um único filhote, que nasce após uma gestação de aproximadamente 11 meses.

Apesar de povoar todos os oceanos, segundo o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), atualmente existem 25 mil baleias distribuídas pelo mundo. Elas se encontram na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção do instituto. São uma espécie migratória. De janeiro a junho vão para os pólos, onde se alimentam de krill (minúsculo camarão dos mares gelados) e pequenos peixes. De julho a novembro nadam até as áreas tropicais, onde ficam próximas à costa para se acasalar e dar à luz aos seus filhotes.

Possuem hábitos costeiros, mas podem ser encontradas também em ilhas oceânicas como Fernando de Noronha e Trindade. No Brasil, ocorrem desde o Rio Grande do Sul até o Nordeste.

História do projeto

Depois de ter sido criado o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, em abril de 1983, pesquisadores notaram ali a presença de uma das espécies de grandes baleias mais ameaçadas de extinção, a baleia jubarte.

Para o desenvolvimento de pesquisas e o monitoramento desta população, foi criado em 1988 o projeto Baleia Jubarte. Desde aquela época dados científicos importantes para a pesquisa da espécie têm sido obtidos e compilados, como o número da população de baleias cantoras, o registro fotográfico de suas caudas que são como as impressões digitais de cada uma delas, seus hábitos e até um banco de DNA de baleias jubarte desta área que é conhecida como a principal concentração reprodutiva da espécie no Oceano Atlântico Sul Ocidental.

 

Pesquisadores identificam as baleias pela cauda
Imagem cedida pelo Instituto Baleia Jubarte

 


Além de realizar pesquisas sobre o comportamento das baleias e a interação destes animais com barcos de turismo da área, o Instituto Baleia Jubarte trabalha ainda com educação ambiental para a conscientização de turistas e comunidade em geral. Mostra a importância da preservação das baleias e seu valor ecológico. Outra missão é transmitir aos representantes políticos, empresários e população local, a importância cultural e econômica destes animais, enfocando o desenvolvimento sustentável da região por meio do turismo para a observação de baleias.

A sede do instituto fica na praia do Kitongo - Caravelas (BA), vizinha à sede do Parque Nacional Marinho de Abrolhos. No centro de Caravelas está situada a sede administrativa do Instituto Baleia Jubarte onde funciona também uma pequena loja para venda de souvenirs - camisetas, adesivos, DVDs, posters, etc - cuja renda reverte diretamente para a manutenção e desenvolvimento das atividades do instituto. Lá são exibidos vídeos e realizadas palestras aos visitantes com o objetivo de divulgar e esclarecer a respeito do meio ambiente da região, do instituto e de seus projetos.

Em abril de 1996, foi criada a organização não-governamental sem fins lucrativos Instituto Baleia Jubarte, com o objetivo de fortalecer o desenvolvimento das atividades de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte e de outras iniciativas para melhorar a qualidade de vida das comunidades litorâneas desta região, como, por exemplo, o Programa de Educação e Informação Ambiental e o Projeto de Gerenciamento Costeiro Integrado.

O instituto abriga também o Projeto Boto Sotalia do Sul da Bahia, que começou a operar em abril de 2002 por causa de indícios de populações de botos cinza (Sotalia guianensis) em uma área nunca antes estudada, equivalente a 135 km de costa, compreendida entre os municípios de Nova Viçosa e Caraíva, na Bahia. O Projeto Boto nasceu também da necessidade de monitoramento da espécie em relação aos possíveis impactos causados pela construção de um porto e operação de barcaças de transporte de eucalipto no rio Caravelas.

A equipe do Instituto Baleia Jubarte é formada por nove pessoas entre biólogos, oceanógrafo, fotógrafo, técnicos em educação ambiental e equipe administrativa. Os recursos para a realização dos projetos são obtidos com os patrocínios. Mas estes recursos são insuficientes. Há necessidade de complementá-los com venda de material de divulgação, como camisetas, adesivos, chaveiros, bonés e, também, de doações.
Os principais apoiadores do instituto são a Pantanal Linhas Aéreas, a Abrolhos Turismo, a Conservation International e o International Fund for Animal Welfare (IFAW). Conta também com o patrocínio oficial da BR Distribuidora (Petrobras).
Os resultados

O Instituto Baleia Jubarte construiu um banco de dados importante para a pesquisa desta espécie. Os levantamentos incluem a identificação fotográfica da cauda das jubartes, com o qual foi formado um catálogo das baleias da região de Abrolhos, constituído atualmente por 500 indivíduos. A partir da identificação individual das baleias, é possível obter informações sobre suas relações sociais, história de vida e movimentos.

Também baseado na foto-identificação foi realizada estimativa do tamanho da população de jubartes que se reproduz no Banco de Abrolhos, informação fundamental para o manejo da espécie na região. Os estudos apontam para um total de aproximadamente mil indivíduos desta população.

Baseado neste levantamento, é possível observar que de 2000 até hoje, as baleias jubarte têm voltado ao litoral norte da Bahia, com o aumento das avistagens. O que criou a necessidade do Instituto estabelecer uma base de trabalho e a realização de cruzeiros de avistagem para o monitoramento e determinação do número de baleias que freqüentam a região.

Patrocinado pela Petrobras, o Instituto Baleia Jubarte iniciou atividades em agosto de 2000 na Praia do Forte (BA). Pesquisadores acreditam que com o crescimento da população, as baleias jubarte voltem a utilizar antigos habitats reprodutivos e povoem novamente uma região da qual foram quase totalmente dizimadas.

Além da presença maciça das baleias nas águas da Bahia (baleia jubarte) e de Santa Catarina (baleia franca), é notável também a chegada de turistas, atraídos pelo espetáculo de observação dos cetáceos. Neste mercado, o turista brasileiro é ainda minoria, com cerca de 40% de participação, e quase sempre estreante.

Uma das mais novas atividades no Instituto Baleia Jubarte é a coleta de material para análise de DNA, que pode ser obtido através de amostras de pele de jubartes vivas ou mortas recentemente. Para a coleta de amostras é utilizada a balestra, instrumento semelhante a um arco-e-flecha medieval, cujo extremo possui uma ponteira adaptada para esta atividade.

Com a balestra, uma pequena quantidade de pele (cerca de 5 cm) é retirada da baleia, sem qualquer prejuízo para o animal. A partir dos dados obtidos, o instituto conseguirá reunir informações a respeito de rotas migratórias, intercâmbio genético entre populações, sexagem dos indíviduos amostrados e outros de fundamental importância para a preservação da espécie.

A contaminação dos oceanos por poluentes químicos também tem sido pesquisada pelo instituto. As baleias são mamíferos aquáticos que estão no topo da cadeia alimentar marinha. Esta característica favorece a acumulação de poluentes em seus tecidos, além de viverem por muitos anos e reservarem energia na forma de gordura, o que forma um reservatório desses elementos no ecossistema marinho.
Esses contaminantes se acumulam na camada de gordura, rins e fígado dos cetáceos e são transferidos através da cadeia alimentar no ecossistema marinho.

Os principais efeitos provocados nesses animais pela contaminação por poluentes como metais pesados, organoclorados e hidrocarbonetos são a destruição do sistema imunológico, alterações endócrinas e do código genético, levando a queda da eficiência reprodutiva, danos ao sistema nervoso, rins e fígado. Além disso, o leite desses animais é muito rico em gordura, e os filhotes já ingerem grandes quantidades de substâncias tóxicas desde o início de suas vidas.

As primeiras amostras de gordura para análise dos níveis de contaminantes químicos nas baleias foram coletadas na temporada de 2002. Estes estudos são importantes para subdisiar a determinação dos fatores que ameaçam a vida e recuperação desses animais que vêm sofrendo com as ações do homem desde a época da caça.

Disseminação do conhecimento

São muitas as atividades de educação ambiental do Instituto Baleia Jubarte nas comunidades do litoral sul da Bahia. O objetivo é estabelecer laços culturais entre a entidade e a população local para que esta conheça a importância da preservação ambiental para a melhora de vida de todos. A disseminação do conhecimento pelo instituto também evita a caça da baleia e o uso de redes de pesca muito grandes, nas quais as jubartes podem se enrolar e morrer.

O programa de informação ambiental começou a existir em Caravelas em 1986, inicialmente voltado para os visitantes do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Com a criação do Instituto Baleia Jubarte, em 1996, o programa de educação e informação ambiental passou a integrar suas atividades e de um grande projeto de conservação para o Complexo dos Abrolhos, o Projeto Abrolhos 2000.

O programa é realizado com patrocínio da Effem e apoio da Petrobras. Em Abrolhos, os primeiros cursos foram endereçados às pessoas diretamente ligadas ao turismo no arquipélago, de proprietários a mestres e marinheiros das embarcações credenciadas pelo Ibama.
Numa segunda etapa, foi desenvolvido um curso para os professores das escolas de ensino básico da sede do município de Caravelas e dos distritos de Ponta de Areia e Barra de Caravelas. Hoje, os alunos são o público-alvo das atividades do programa, despertando os pequenos cidadãos para a sua importância no meio ambiente em que vivem.

As atividades com os alunos incluem palestras, vídeos, teatro de fantoches, exposições, confecção de painéis, pinturas, atividades de respiração e expressão corporal, entre outras.

Para disseminar o conhecimento o instituto tem também programas de estágio. A fim de concorrer a uma vaga de estagiário o aluno envia um e-mail informando a época do ano e o tempo que dispõe para estagiar. Se houver disponibilidade de vagas, o curriculum vitae do aluno será encaminhado.

Baleia Jubarte - a baleia cantora

A baleia jubarte é uma espécie migratória que passa boa parte da vida de forma solitária. Por isso, são muitas as situações onde o som é o único meio através do qual os animais interagem. Pesquisadores que trabalham com populações de jubarte em todo o globo vêm observando que estas baleias emitem sons enquanto realizam as mais variadas atividades: fêmeas conversam com os filhotes, grupos competitivos emitem uma variedade de notas, e os machos cantam. A complexidade, a beleza e a importância do canto para a espécie fizeram com que as jubartes recebessem o título de "baleias cantoras".

A baleia jubarte adulta mede de 12 a 16 metros e pesa mais de 40 toneladas. De janeiro a julho, alimenta-se nos pólos e de julho a novembro migra para os mares tropicais. Nada a uma velocidade de 6 a 12 km/h.

Os inimigos naturais da jubarte são as orcas (Orcinus orca), as falsas-orcas (Pseudorca crassidens) e os grandes tubarões da família Carcharhinidae. Esses animais atacam as jubarte, principalmente quando jovens e menores.

Devido aos seus hábitos costeiros durante os períodos migratórios (julho a dezembro), a baleia jubarte sofre com fortes pressões antrópicas, como as capturas acidentais em redes de pesca, colisão com barcos e navios, poluição dos mares e a destruição de seus habitats.

Outra ameaça potencial e iminente é o aumento do turismo para a observação de baleias (whalewatching) no Banco dos Abrolhos, que, se feito de forma irracional e descontrolada, pode molestar seriamente as baleias jubarte. A atividade petrolífera na região do Banco dos Abrolhos e adjacências é causa de preocupação quanto a futuros impactos sobre a população de baleias. Existem registros de capturas em redes de deriva oceânicas para as regiões sul e sudeste do Brasil.

Já em 1602, foi estabelecido, na região de Salvador (BA), o primeiro porto destinado à caça das baleias. No decorrer do século 17 foram criadas novas armações em pontos estratégicos espalhados por todo o litoral da Bahia, e a região de pesca à baleia foi estendida até o Sudeste. Da gordura do animal era extraído o óleo, importante fonte de energia para a iluminação das cidades e principal razão pela qual as baleias eram caçadas.

A caça de baleias é proibida por lei no Brasil desde 1987 e na maioria dos países, menos na Noruega, Japão e na Islândia. No entanto, esta e outras espécies continuam ameaçadas de extinção, pois durante séculos a caça indiscriminada reduziu drasticamente as baleias de todos os oceanos. Alguns cientistas calculam que a caça indiscriminada de baleias tenham reduzido suas populações nos mares do mundo entre 60 a 80%. De uma população inicial estimada em 150 mil jubartes, restam hoje cerca de 25 mil, de acordo com o Ibama.

Além do Instituto Baleia Jubarte, existem vários outros monitorando e estudando as seis outras espécies de baleias que freqüentam a costa brasileira. São elas: Bryde, Minke, Sei, Fin, Franca-do-Sul e Azul.

A luta por sexo

Na região do Arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia, na época do acasalamento, as baleias jubarte chegam e se concentram para reprodução e cria. São observadas normalmente em pares fêmeas com filhotes acompanhadas de machos adultos (escorts). Estes competem pelo acesso às fêmeas em idade de reprodução. Os machos disputam as fêmeas com lutas entre si e comportamentos agressivos. A maturidade sexual é alcançada com aproximadamente 11 meses. A gestação dura cerca de 1 ano. As fêmeas dão à luz a um único filhote que ao nascer mede cerca de 5 metros e pesa 1,5 tonelada. A amamentação dura de 6 a 10 meses. O intervalo médio entre as crias é de 2 anos. Podem viver, pelo menos, 40 anos.

 

 

Mãe e filhote na região de Abrolhos
Imagem cedida pelo Instituto Baleia Jubarte

 


 



Barcos que perturbam


O aumento descontrolado do turismo, principalmente aquele voltado à observação de baleias, o "whalewatching", pode acarretar molestamento destes animais, o que perturba seu ciclo reprodutivo, como constatado pelos cientistas do Instituto Baleia Jubarte.

Por causa disto, em dezembro de 1996, o Ibama baixou a portaria nº 117, que estabelece normas para avistagem de cetáceos em águas brasileiras. Na região de Abrolhos são observadas fêmeas acompanhadas de filhotes recém-nascidos, particularmente vulneráveis à aproximação de embarcações.

O ruído provocado pelos motores destes barcos ocasiona freqüentemente a interrupção de atividade de amamentação e, a longo prazo, pode causar o abandono de áreas de reprodução.

Para evitar o molestamento das baleias jubarte pelas embarcações de turismo na região de Abrolhos, o Instituto Baleia Jubarte realiza palestras para proprietários e tripulações dos barcos de turismo. Além disso, toda embarcação que fundeia no Arquipélago de Abrolhos de julho a novembro, recebe a visita de um técnico do instituto. Durante esta visita são distribuídos folders com as normas de avistagem e é enfatizada a necessidade de colaboração de todos para a preservação da espécie.

Em alguns locais do mundo populações de jubarte deixaram de usar uma área devido ao intenso tráfego de embarcações. Alguns pesquisadores dizem que certos grupos de baleias mudam seu comportamento quando os barcos estão se aproximando delas, entretanto outros dizem não existir reação alguma. Até hoje não se sabe, com certeza, como a aproximação de embarcações pode ser prejudicial às baleias. Por esse motivo, o Instituto Baleia Jubarte iniciou, em 1997, um estudo no qual pretende avaliar as reações das baleias a diferentes tipos de barcos e quais tipos de grupos - mãe com filhote, solitário, dupla de adultos, trios, etc - é mais ou menos afetado.

Esta pesquisa continua em andamento e ainda não tem um resultado, mas ao ser finalizada dará o embasamento para criação de uma regulamentação da conduta dos barcos de turismo na observação das baleias, garantindo assim o bem-estar da população brasileira de jubartes nas águas de Abrolhos.  

 
Projeto Semeando o Bioma Cerrado
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Carcaça do coco verde

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